18/05/2020

Setor

Sim, teremos vacina!

O Globo

Natalia Pasternak

Na ausência de um medicamento e com as incertezas que cercam a imunidade de rebanho, nossas esperanças para resolver a pandemia concentram-se na possibilidade de uma vacina. Vacinas, em geral, demoram de cinco a oito anos para ficar prontas, entre desenvolvimento, testes e produção. Mas os avanços da ciência e a necessidade urgente podem mudar o quadro.

Semana passada, saíram resultados promissores de uma vacina desenvolvida pelo Jenner Institute, na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Trata-se de uma vacina baseada numa estratégia que pode, ainda, ser adaptada para outros vírus. Bem antes da Covid-19, o time inglês buscava vacina para MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).

Usando uma versão modificada do adenovírus — um tipo que causa resfriados e ataca macacos —, e uma sequência genética do vírus da MERS, os cientistas conseguem fazer com que o adenovírus, que não causa nenhuma doença em humanos, fabrique uma proteína do MERS-Cov, e engane o nosso sistema imune. É como se estivéssemos fantasiando o adenovírus de MERS. Ele chega nas nossas células dizendo, “oi, eu sou o vírus da MERS”. As células acreditam, e preparam suas defesas.

Em essência, é isso que as vacinas fazem: enganam o organismo, para que nosso sistema imune ache que está sendo atacado. Esta reação deixa para trás o que chamamos de memória imunológica, e deve nos proteger do inimigo real. As primeiras vacinas usavam os vírus originais das doenças, inativados ou enfraquecidos (“atenuados”). Ainda temos várias vacinas assim. Elas funcionam bem, mas a logística de produção pode ser complicada.

Há técnicas mais modernas, envolvendo manipulação genética, que prometem maior versatilidade, velocidade e simplicidade de produção.

Voltando à vacina de Oxford, tivemos sorte de ter um grupo trabalhando com MERS. Não só é um vírus “primo” do novo coronavírus, como a verba da pesquisa não foi cortada depois que o surto original da MERS, na década passada, terminou. Muitas pesquisas de vacinas para vírus semelhantes ao SARS-CoV-2 foram encerradas, por falta de verbas, quando as doenças que causavam deixaram de ser vistas como ameaças globais.

Além disso, como se trata de uma vacina onde o adenovírus é usado como veículo para alguns genes do verdadeiro inimigo, agora é só trocar o “passageiro”! Saem os genes da MERS, entram os do SARSCoV-2. A nova vacina, que recebeu o desajeitado nome de ChAdOx1 nCoV- 19, já está sendo testada em humanos, e se saiu muito bem em testes em animais. Os macacos ficaram protegidos e não tiveram efeitos colaterais.

Há, ainda, outras vacinas já sendo testadas em humanos. Aquela ideal, além de eficaz e segura, deverá ser fácil de produzir, usar equipamentos e insumos fáceis de achar, com dose única, sem necessidade de injeção (usando gotas ou spray, por exemplo) e ter efeito duradouro.

A vacina de Oxford atende a vários destes requisitos. Que isso nos sirva de lição para continuarmos investindo, porque sempre que leio os estudos da vacina inglesa, penso: e se a verba tivesse sido cortada, como tantas outras?

Que a vacina de Oxford nos sirva de lição para continuarmos investindo. E se a verba tivesse sido cortada, como tantas outras?Na ausência de um medicamento e com as incertezas que cercam a imunidade de rebanho, nossas esperanças para resolver a pandemia concentram-se na possibilidade de uma vacina. Vacinas, em geral, demoram de cinco a oito anos para ficar prontas, entre desenvolvimento, testes e produção. Mas os avanços da ciência e a necessidade urgente podem mudar o quadro.

Semana passada, saíram resultados promissores de uma vacina desenvolvida pelo Jenner Institute, na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Trata-se de uma vacina baseada numa estratégia que pode, ainda, ser adaptada para outros vírus. Bem antes da Covid-19, o time inglês buscava vacina para MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).

Usando uma versão modificada do adenovírus — um tipo que causa resfriados e ataca macacos —, e uma sequência genética do vírus da MERS, os cientistas conseguem fazer com que o adenovírus, que não causa nenhuma doença em humanos, fabrique uma proteína do MERS-Cov, e engane o nosso sistema imune. É como se estivéssemos fantasiando o adenovírus de MERS. Ele chega nas nossas células dizendo, “oi, eu sou o vírus da MERS”. As células acreditam, e preparam suas defesas.

Em essência, é isso que as vacinas fazem: enganam o organismo, para que nosso sistema imune ache que está sendo atacado. Esta reação deixa para trás o que chamamos de memória imunológica, e deve nos proteger do inimigo real. As primeiras vacinas usavam os vírus originais das doenças, inativados ou enfraquecidos (“atenuados”). Ainda temos várias vacinas assim. Elas funcionam bem, mas a logística de produção pode ser complicada.

Há técnicas mais modernas, envolvendo manipulação genética, que prometem maior versatilidade, velocidade e simplicidade de produção.

Voltando à vacina de Oxford, tivemos sorte de ter um grupo trabalhando com MERS. Não só é um vírus “primo” do novo coronavírus, como a verba da pesquisa não foi cortada depois que o surto original da MERS, na década passada, terminou. Muitas pesquisas de vacinas para vírus semelhantes ao SARS-CoV-2 foram encerradas, por falta de verbas, quando as doenças que causavam deixaram de ser vistas como ameaças globais.

Além disso, como se trata de uma vacina onde o adenovírus é usado como veículo para alguns genes do verdadeiro inimigo, agora é só trocar o “passageiro”! Saem os genes da MERS, entram os do SARSCoV-2. A nova vacina, que recebeu o desajeitado nome de ChAdOx1 nCoV- 19, já está sendo testada em humanos, e se saiu muito bem em testes em animais. Os macacos ficaram protegidos e não tiveram efeitos colaterais.

Há, ainda, outras vacinas já sendo testadas em humanos. Aquela ideal, além de eficaz e segura, deverá ser fácil de produzir, usar equipamentos e insumos fáceis de achar, com dose única, sem necessidade de injeção (usando gotas ou spray, por exemplo) e ter efeito duradouro.

A vacina de Oxford atende a vários destes requisitos. Que isso nos sirva de lição para continuarmos investindo, porque sempre que leio os estudos da vacina inglesa, penso: e se a verba tivesse sido cortada, como tantas outras?

Que a vacina de Oxford nos sirva de lição para continuarmos investindo. E se a verba tivesse sido cortada, como tantas outras?

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