15/05/2020

Interfarma

A Disparidade do acesso à saúde no Brasil

Um dos principais complexos hospitalares do País, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, deu início a uma ampla readequação de suas dependências para atender pacientes da Covid-19. Ainda estávamos em fevereiro, antes mesmo da Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar que o surto do novo Coronavírus havia se transformado em pandemia.

 

Dos oito institutos do HC, um prédio inteiro passou a ser dedicado à pandemia, com 200 leitos de UTI, fundamentais para o atendimento a pacientes graves. Hoje, o número foi ampliado para 300. Em todo o Estado, são mais de cinco mil, fazendo de São Paulo o mais bem equipado Estado em número de leitos de UTI.

 

No Norte do País, todo o Estado do Amazonas abrigava cerca de 200 leitos de UTI na mesma época. A secretaria local de saúde, em março, planejou a criação de mais 350 leitos para as semanas seguintes, quando a doença avançaria pela região.

 

Hoje, o Amazonas registra 86% de ocupação dos leitos com mais de 17 mil casos, enquanto São Paulo tem 69% de ocupação, com mais de 54 mil casos, sendo o epicentro nacional da pandemia.

 

Nas próximas semanas, para quando é esperado o pico de casos do novo Coronavírus no Brasil, a diferença de leitos de UTI entre estados pode representar a diferença entre um tratamento que salva a vida de pacientes graves e mortes por falta de assistência médica adequada.

 

A pandemia da Covid-19 tem evidenciado as diferenças de acesso à saúde, que já existiam em inúmeros aspectos. País com dimensões continentais, o Brasil conta com um sistema público de saúde unificado, mas são marcantes as disparidades na luta pelo acesso à saúde e até pela sobrevivência. Câncer, doenças raras, saúde da mulher, suporte a traumas, atendimento a queimados, esses são apenas alguns dos perfis de pacientes que, se observado de perto, enfrentam jornadas muito distintas no acesso à saúde.

 

Embora o SUS acumule conquistas importantes em seus mais de 30 anos, os preceitos de universalidade e integralidade, previstos na Constituição Federal do Brasil e que significam saúde para todos, em todas as suas necessidades, é preciso uma ampla discussão em diversas esferas para garantir atendimento a toda a população. É preciso buscar mais acesso a medicamentos, a estrutura hospitalar, a prevenção, a saneamento básico e a estratégias eficientes de promoção geral da saúde, com sustentabilidade na gestão dos recursos públicos, para que tenhamos uma sociedade mais justa, humana e próspera.


Dedicamos este conteúdo ao Dr. Manoel Carlos Santos, falecido no último dia 13/05/2020. O Dr. Manuel teve uma vida de ampla atuação para disseminar o acesso a novas tecnologias, com diversas publicações em eventos nacionais e internacionais, além da marcante liderança pró-ativa e diálogo sempre aberto a todos os atores da cadeia da saúde. Promoveu grandes avanços em novas metodologias de acesso, tais como risk sharing, e foi um profissional sempre presente em discussões e painéis focados na sustentabilidade do ecossistema da saúde.

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