15/04/2020

Setor

O desafio dos novos tratamentos contra COVID-19

O Globo

A maioria das drogas em teste no mundo para tratar vítimas de Covid-19 pode custar cerca de US$ 1 ao dia por paciente, ou até menos, segundo uma análise publicada na revista científica “Journal of Virus Eradication”. Ela alerta, todavia, que é necessário um esforço conjunto de governos e da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que os preços não disparem, a exemplo do que já ocorreu com respiradores, máscaras e testes.

O problema já acontece nos Estados Unidos com a cloroquina. Depois que o presidente Donald Trump foi à TV e às redes sociais dizer que o medicamento seria uma solução para o novo coronavírus, mesmo sem fundamento científico, o preço de um tratamento de sete dias subiu de cerca de US$ 1 para US$ 93. Em Bangladesh, país com valor mais baixo, custa US$ 0,20.

A OMS e 50 países, entre eles o Brasil, testam uma série de medicamentos desenvolvidos originalmente para outras doenças, mas que em estudos com culturas de células em laboratório ou com pequenos grupos de pacientes mostraram ser candidatos para experimentos maiores, como possíveis tratamentos para a Covid-19. Estão entre eles o remdesivir, desenvolvido contra ebola e Sars; a cloroquina e a hidroxicloroquina, contra malária e algumas doenças autoimunes, como lúpus; e lopinavir, contra a Aids.

O estudo foi liderado por Andrew Hill, um especialista em preço de medicamentos da Universidade de Liverpool, no Reino Unido. Os pesquisadores consideram os preços das matérias-primas dos chamados ingredientes farmacêuticos ativos, a formulação destes em remédios e embalagens, além de adicionar 10% para os laboratórios fabricantes.

Oito dos nove remédios analisados podem custar menos de US$ 1,5 paciente/dia. Por curso de tratamento, cada pessoa custaria até U$ 31. “Todas essas drogas são baratas de produzir, se houver ação coordenada”, disse Hill na análise.

Baratas de produzir, mas nem sempre baratas para comprar. Índia e Paquistão, que são grandes produtores de insumos básicos, têm condições de chegar a um custo mínimo de US$ 0,20 e máximo de US$ 510. Nos EUA, porém, esse valor seria de US$ 19 a US$ 18.610.

A preocupação dos pesquisadores é que os preços altos prevaleçam e esses medicamentos, caso se mostrem eficazes contra a Covid-19, não cheguem a países pobres.

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