28/11/2019

Setor

Saúde: Colaboração em escala global

Valor Econômico (revista Inovação)

Jornalista: Simone Goldberg

Grandes empresas fornecedoras de equipamentos, hospitais e universidades vêm ajudando a fomentar cadeias de inovação no setor de saúde, apoiando startups com projetos para a área. As multinacionais americanas Johnson & Johnson Medicai Brasil e GE Healthcare, o Hospital das Clínicas - vinculado à USP-, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e o Hospital Israelita Albert Einstein são alguns exemplos. Empreendedores como a Medroom, de realidade virtual aplicada ao ensino de anatomia, e a Toth Lifecare, de monitores cardíacos e outros itens tecnológicos, ilustram uma vasta lista de novas empresas que nasceram e se desenvolveram dentro de ecossistemas de inovação. 

“Tão importante quanto desenvolver um ecossistema local de inovação é dar acesso às tecnologias mais inovadoras disponíveis”, observa Adriano Caldas, presidente da Johnson & Johnson Medicai Brasil, cujo modelo de inovação é aberto e capaz de identificar as soluções mais promissoras para levá-las a uma escala global.

A Johnson & Johnson é uma das mantenedoras do Distrito InovaHC, um hub de inovação aberta ligado ao Hospital das Clínicas, inaugurado em setembro para abrigar startups de saúde. O projeto também se conecta a outras iniciativas da multinacional ao redor do mundo em apoio a mais de 500 startups de saúde focadas em tecnologia - as chamadas healthtechs.

Num espaço de 900 metros quadrados, o Distrito InovaHC dispõe de dois laboratórios, um de Telemedicina e outro de Hospital 4.0 - ambiente que recria situações de um hospital para o teste de tecnologias disruptivas, a exemplo de inteligência artificial, internet das coisas e impressão 3D. Idealizado pelo HC, o hub conta, além da J&J, com várias outras empresas apoiadoras. A iniciativa conectará os mais de 2 mil pesquisadores e 65 laboratórios do complexo hospitalar com o mercado.

As tecnologias e soluções desenvolvidas pelas startups e grandes empresas no Distrito InovaHC poderão ser absorvidas pelo Hospital das Clínicas, com perspectiva de escalar para outras instituições das redes pública e privada. O espaço, que já tem 70% de ocupação, pode abrigar cerca de 150 residentes, o que dá, em média, 20 startups, informa Gustavo Araújo, cofundador do Distrito.

Outra instituição atenta para as parcerias em inovação é o Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Em setembro passado, inaugurou seu Centro de Inovação e Educação em Saúde, em São Paulo, espaço que também vai abrigar startups. Elas serão selecionadas a partir da participação do hospital no programa Startups Connected, da Câmara Brasil-Alemanha. O tema do desafio lançado pelo hospital este ano foi inteligência artificial. A biotecnologia será o próximo.

Kenneth Almeida, superintendente de inovação, pesquisa, educação e transformação digital do Oswaldo Cruz, espera que a parceria com startups traga novas competências. “O conhecimento pretérito do hospital, somado ao foco e à agilidade das startups, proporciona soluções que vão melhorar a vida das pessoas.” O hospital auxiliará as startups na captação de recursos e poderá investir recursos próprios, considerando a fase de maturação e da solução apresentada. A instituição tem iniciativas diversas que geraram acesso a 67 organizações ou projetos em inovação na saúde.

Inovação aberta também se faz presente no Hospital Israelita Albert Einstein, que toca projetos de pesquisa Oswaldo Cruz: com empresas, universidades e startups. “Estes projetos apoio para envolvem ciência básica, ciência aplicada, desenvolvimento de protótipos, desenvolvimento de software e de recursos hardware”, destaca Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

A Eretz.bio, incubadora de startups do hospital, realiza quase uma centena de eventos gratuitos por ano para conectar os vários atores do setor de saúde. Abriga hoje 33 startups, que contam com apoio em questões como acesso a investimentos, mentores especializados, relacionamentos comerciais, entre outros.

As soluções desenvolvidas pelos empreendedores incluem desde cuidado de saúde por meio de aplicativos até equipamentos e testes diagnósticos com forte base tecnológica e propriedade intelectual proprietária. Em todos os casos, ressalta o executivo, há a preocupação de se medir resultados, impactos, e realizar validações cientificas.

Um exemplo de startup desenvolvida com o apoio do Eretz.bio é a MedRoom, que lançou o Atrium, um laboratório de anatomia onde os alunos têm acesso, por óculos de realidade virtual, a dois pacientes, Lucy e Max. Dessa forma, podem conhecer todo o corpo humano com seus órgãos, sistemas e tecidos. Este produto já é utilizado por sete faculdades brasileiras, além de duas faculdades no México e uma no Paraguai.

“O Einstein nos ajudou muito com o direcionamento estratégico do produto e a entender a realidade do cliente e dos usuários, além de validá-lo em várias etapas. E a Grow+ ajudou com o processo de aceleração da empresa”, conta Vinícius Gusmão, CEO da MedRoom, cujo investimento em P&D este ano passará de RS 1,5 milhão.

Numa trajetória semelhante, a Toth Lifecare foi fundada em uma sala universitária gaúcha, há 11 anos. Para o CEO Eduardo Marckmann, “ter nascido dentro do parque tecnológico da PUC-RS e ligações com a academia e o hospital da universidade nos deu muita visibilidade”, conta.

A jovem empresa logo chamou a atenção do mercado. Por meio de uma parceria com a Lifemed, fabricante brasileira de equipamentos médicos, apoio da PUC-RS e financiamento da Finep, surgiram produtos inovadores, como o primeiro desfibrilador cardíaco “touch screen” no mundo, lançado há cerca de sete anos.

Desde 2013, parte da produção dos desfibriladores foi transferida para a Universidade Estadual da Paraíba. Numa parceria público-privada. Os parceiros Toth, Lifemed e PUC-RS receberão remuneração de royalties pela propriedade intelectual dos produtos. Hoje, a Toth mantém sua sede no parque tecnológico da PUC-RS e duas fábricas no Rio Grande do Sul. Firmou acordos com outras empresas para fazer um monitor e cateteres de pressão intracraniana e tem investido cerca de 30% do faturamento em P&D.

A empresa deve lançar no ano que vem o Tempy, um termômetro bluetooth que mede a temperatura da criança enquanto ela dorme e avisa os pais, por um aplicativo no celular, em caso de febre.

Este ano, as startups brasileiras da saúde ganharam mais uma aliada forte. A GE Healthcare trouxe para o país a plataforma Edison, composta por aplicativos e dispositivos que permitem a integração e assimilação de dados de fontes distintas para transformá-los em informações clínicas valiosas. De acordo com o presidente e CEO da empresa para a América Latina, Luiz Verzegnassi, trata-se de uma plataforma aberta, que facilitará a aproximação com startups. A GE mantém uma célula de inovação no Brasil e possui acordos com institutos de ciência e tecnologia, hospitais e universidades para o desenvolvimento conjunto de novas tecnologias.

Para o sócio-diretor de saúde da KPMG, Daniel Greca, os processos de inovação no setor de saúde rodam numa velocidade abaixo da necessária porque ainda prevalece uma mentalidade muito focada na rentabilidade. Por isso, as parcerias são fundamentais, do contrário as empresas não conseguem acompanhar o ritmo das mudanças.

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