Especialistas discutem o valor da inovação no Brasil em evento realizado pela Interfarma e Fifarma

Especialistas discutem o valor da inovação no Brasil em evento realizado pela Interfarma e Fifarma

A Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa do Brasil (INTERFARMA) e a Federação Latino-Americana de Empresas Farmacêuticas (FIFARMA) realizaram, em 21 de maio, em Brasília, o “Dia da Inovação”. O evento reuniu mais de 60 participantes do setor de saúde para discutir a importância de enfrentar desafios do país como aumentar o crescimento econômico e o potencial do setor farmacêutico de pesquisa. Palestrantes internacionais e nacionais de várias organizações exploraram tópicos críticos para aprimorar os ecossistemas inovadores do Brasil.

Ao abrir o Innovation Day Brazil, Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma, afirmou que a inovação é uma demanda essencial para todos os países e setores e, que na área de saúde, ela salva vidas, muda o curso das doenças e traz qualidade de vida para os pacientes. “A inovação precisa de Pesquisa e Desenvolvimento. O ponto básico de onde ela acontece na saúde é a pesquisa clínica. O ciclo de inovação precisa estar no Brasil Devemos aumentar a produção científica do país e facilitar o acesso dos pacientes às novas tecnologias em saúde. Este ciclo de inovação depende ainda da proteção da propriedade intelectual para acontecer”, defendeu Porto.

Nelson Teich, médico oncologista e ex-ministro da Saúde do Brasil, refletiu sobre o valor da inovação para os pacientes e a economia do país. “A inovação aumenta muito a nossa capacidade de cuidar. Mas não é ela que define a evolução do sistema de saúde. Quem traz eficiência é o gestor e não a inovação. Ela é uma ferramenta, que sozinha não resolve os problemas. Precisamos de pessoas que saibam incorporar e usar a inovação para que ela seja efetiva”, mencionou o ex-ministro de Saúde, convidado para fazer a palestra inicial do evento.

O primeiro painel do dia foi dedicado ao papel dos ensaios clínicos no fomento à inovação dentro do país. Francisco Forestiero, Delivery Unit Head na IQVIA, enfatizou a necessidade de abordar os desafios como incerteza regulatória e recursos limitados (clique aqui e baixe o estudo sobre Pesquisa Clínica). “O Brasil tem o oitavo maior farmacêutico e a 7ª maior população do mundo, além da maior população urbana da América Latina e alta índice de heterogeneidade populacional. Mesmo assim tem um papel coadjuvante na realização de pesquisas clínicas, ficando em 19ª posição no ranking global em 2023, o que representa apenas 2% do que é realizado no mundo. O Projeto de Lei 6007/2023 pode ajudar o Brasil na evolução dos números de estudos clínicos realizados aqui”, afirmou Forestiero.

Durante o debate sobre Pesquisa Clínica, o Senador Dr. Hiran, o médico oncologista clínico Dr. Fernando Maluf, a diretora da Anvisa Meiruze Freitas e o gerente-executivo da Abracro Fernando Francisco sublinharam a necessidade de o Brasil avançar na realização de pesquisas clínicas com o benefício direto para a população e o acesso às novas tecnologias. Concordaram que a sanção do PL de Pesquisa Clínica é passo importante para isso.

A segunda sessão focou na importância da Propriedade Intelectual para o Brasil, destacando que a implementação da Proteção Regulatória do Dossiê de Testes (PRDT) é um recurso para atrair investimentos estrangeiros e dobrar o número de ensaios clínicos no país. A advogada Viviane Trojan, co-chair da Comissão de Patentes na Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI), iniciou a sessão explicando como a proteção da Propriedade Intelectual é essencial para a inovação e o desafio do Brasil. “A falta de segurança jurídica afasta investimentos em áreas complexas e hiper sofisticadas como a biotecnologia, por exemplo, e afugenta do país empresas com alto grau de investimento e comprometimento na promoção da saúde e no avanço da melhoria de vida dos pacientes brasileiros”, afirmou.

Christian Jervelund, presidente do Conselho de Administração e responsável pelos serviços de saúde e ciências da vida e de mercado interno da Copenhagen Economics, trouxe dados sobre a adoção de PRDT para medicamentos farmacêuticos no Brasil (clique aqui e conheça o estudo sobre PRDT). “A PRDT leva a uma maior disponibilidade de medicamentos em um país, beneficiando os pacientes. Os produtos mais inovadores resultam também em mais medicamentos genéricos disponíveis com o tempo. Além disso, os mercados com PRDT têm, em média, mais 17 ensaios clínicos por milhão de habitantes. A realização de ensaios clínicos contribui para a economia com investimento direto estrangeiro e criação de emprego no país”, destacou Jervelund.

Na sessão de encerramento, Dennis Ostwald, CEO do Instituto WifOR da Alemanha, apresentou um estudo realizado em colaboração com a FIFARMA (para baixar os dados do estudo, clique aqui), avaliando o impacto socioeconômico de sete doenças em oito países da América Latina. Ostwald declarou, “Entre as principais descobertas, notamos perdas econômicas substanciais que o Brasil sofre dessas doenças, variando de $60,7 bilhões (4,7% do PIB) a $268,9 bilhões (20,9% do PIB). Isso exigiria que todo brasileiro com mais de 15 anos trabalhasse 10,6 dias adicionais cada ano para compensar esse ônus socioeconômico de cinco anos”, afirmou. Ele também apontou os efeitos econômicos alarmantes do diabetes tipo 2 e observou que a enxaqueca representa um fardo considerável, o mais severo entre os países estudados.

Yaneth Giha, Diretora Executiva da FIFARMA, finalizou o evento, enfatizando que o potencial do Brasil para desenvolvimento econômico na região é destacado pela necessidade de implementar proteção de dados regulatórios e aprimorar os quadros regulatórios. Essas melhorias podem impulsionar significativamente o crescimento e aumentar a atratividade do país para pesquisa clínica. Além disso, ela destacou a importância de aumentar os investimentos em saúde para reduzir as perdas econômicas causadas por doenças, como diabetes e enxaqueca. Embora essas doenças não sejam fatais, seu impacto pode ser substancialmente reduzido com as medidas preventivas corretas e o cuidado adequado. “Abordar esses desafios requer um esforço coletivo, pois nenhum ator sozinho pode navegar por essas complexidades; a ação colaborativa de todos os interessados ​​do setor de saúde é essencial para desbloquear as tremendas capacidades econômicas do Brasil”, concluiu Giha.

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