04/10/2018

BRANDED CONTENT: Saúde ganha uma nova chance

Veja o posicionamento da INTERFARMA sobre as eleições e o resumo das sabatinas da Infoglobo

O Globo / Valor Econômico / Revista Época

Desde 1990 à frente de pesquisas, desenvolvimento e comercialização de medicamentos, a INTERFARMA (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) acredita que, apesar de todas as dificuldades, a saúde pública no Brasil tem jeito. O caminho para encontrar as melhores soluções está no debate e nas propostas para melhorar a gestão do serviço, com foco na ampliação do acesso ao atendimento e aos medicamentos e no bem-estar da população. Em busca de um futuro melhor para a saúde do brasileiro, a INTERFARMA resumiu em quatro ideias os pontos mais críticos e urgentes para aperfeiçoar o SUS e garantir uma boa gestão do setor. As propostas deram origem a uma carta, entregue a todos os presidenciáveis e suas equipes de campanha, com o objetivo de incentivar o diálogo e contextualizar cada uma dessas questões. Os candidatos também foram convidados para sabatinas.

A Carta aos Candidatos da INTERFARMA defende: 1. Continuidade e amparo técnico na gestão da saúde; 2. O melhor aproveitamento do potencial inovador do país; 3. Ampliação do acesso a medicamentos básicos; 4. Políticas públicas eficientes para viabilizar o acesso a medicamentos complexos.

Segundo a associação, o SUS já obteve bons resultados em suas primeiras batalhas, como na luta contra doenças infecciosas e na imunização. Mas agora os desafios são outros: a população está envelhecendo e, com isso, crescem as demandas para tratar doenças crônicas e complexas, como diabetes e câncer. Além disso, de acordo com a INTERFARMA, a corrida pelas novas tecnologias mobiliza cientistas de todo o mundo e, embora o Brasil tenha muito potencial para participar e se destacar nessa área, ainda exerce uma tímida posição de coadjuvante. E seus melhores cientistas são obrigados a atuar no exterior.

Para lidar com essas questões, os associados da INTERFARMA afirmam que não bastam soluções imediatistas. Entendem que o sucesso da  saúde no país depende de políticas de estado bem elaboradas, que estabeleçam metas para médio e longo prazos, assim melhorando  consistentemente a qualidade de vida do brasileiro.

Para o presidente executivo interino da INTERFARMA, Pedro Bernardo, o quadro da Saúde no Brasil é composto por diversos meandros que precisam ser identificados e enfrentados. As dificuldades, segundo ele, foram intensificadas com a crise econômica que assola o país.

— A Saúde depende muito da situação econômica do Brasil. Com esse mergulho na crise e a queda do PIB, o Ministério da Saúde, que já tinha dificuldade com orçamento, ficou pior. Quem precisa de assistência básica procura o governo e é atendido. Quem precisa de atendimento de alta complexidade também, então o governo está nos dois extremos. E temos uma saúde privada suplementar, que tem aumentado os preços acima da inflação, ficando cada vez mais difícil para a população pagar o plano. E até os planos coletivos e corporativos estão caros. Isso está pesando na conta das empresas — avalia ele.


Pedro destaca ainda que o sistema tem sido cada vez mais pressionado por uma série de mudanças no perfil da população. O crescimento de doenças degenerativas e o aumento da expectativa de vida fazem com que a procura pelo serviço de saúde seja cada vez maior, o que requer um trabalho de prevenção mais consistente.

IMPOSTOS SOBRE MEDICAMENTOS

As altas taxas tributárias encarecem os medicamentos e prejudicam o acesso a remédios básicos, segundo Pedro Bernado. Entre os  produtos de alto custo, a tributação fica ainda mais pesada. Pedro explica que há um controle de preço internacional, mas, com o acréscimo dos impostos brasileiros, os medicamentos vendidos no país ficam entre os mais caros do mundo.

— A indústria compra os remédios lá fora, traz para cá e tem que vender com o menor preço aqui dentro. Aí vem o governo, inclui os tributos e o preço aumenta. É uma coisa esquizofrênica. E quando um medicamento é tributado e vendido para o governo, o próprio governo paga imposto — critica.

O orçamento do Ministério da Saúde, segundo o executivo, é de R$ 25 bilhões, sendo que cerca de R$ 16 bilhões vão somente para a compra de medicamentos.

— A Saúde não é uma política de governo, é uma política de Estado. Independentemente de qual seja o governo, ela tem que seguir uma linha que vai ser mantida. Não pode ser trocada a cada presidente. A saúde não pode ficar no jogo de indicações políticas. Quem ocupar os cargos executivos precisa entender do assunto e ter compromisso com a saúde a longo prazo — defende.

Aplicar energia e recursos para inovação e pesquisa, a fim de tornar o Brasil um país competitivo com o resto do mundo, é outro ponto que merece destaque, segundo a associação. De acordo com Pedro, o Brasil precisa incentivar, especialmente, a área de pesquisas  clínicas, que trazem recursos e dão retorno direto para o tratamento de doenças da população. E acrescenta que o setor farmacêutico no Brasil importa 80% de matéria-prima e medicamento pronto, o que custa, em média, US$ 8 bilhões.

— Nós importamos porque lá fora eles pesquisam e fazem coisas que não fazemos aqui. Não é justo que os brasileiros tenham as mesmas doenças e muito menos chances de cura – diz ele, acrescentando que é imprescindível que haja comprometimento do Estado na quebra das burocracias que atravancam as pesquisas no Brasil.

Pensando nisso, a INTERFARMA firmou uma parceria com os jornais O Globo e Valor Econômico e a revista Época, para realizar uma série de sabatinas com os cinco candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas. Foi uma oportunidade para eles, em duas horas de entrevistas, apresentarem as suas propostas para a saúde e as demais áreas de competência. Dos cinco convidados, três aceitaram. Veja a seguir:

Ciro Gomes

INVESTIMENTO EM PESQUISAS


Ciro Gomes Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

Investir em pesquisas é uma das bandeiras de Ciro Gomes para a gestão da Saúde. “Nós importamos US$ 17 bilhões em produtos médicos por ano, enquanto poderíamos produzir remédios, próteses e outros insumos internamente, pois somos capacitados com as tecnologias mais sofisticadas. Estamos gerando emprego nos Estados Unidos, China e Europa com dinheiro brasileiro.”

Ele destacou o trabalho da Fiouruz, que criou uma unidade para geração de medicamentos biológicos – produtos de última geração para o tratamento de doenças graves, como o câncer. “O Brasil pode ser o grande protagonista global deste tipo de medicamento, economizando dinheiro e gerando emprego aqui e exportando para o mundo”, afirmou.

O SUS, para Ciro, é um programa generoso e deve ser preservado. “Porém, temos que realizar a supervisão e controle das unidades de pronto atendimento. Nós vamos estabelecer metas para os postos de saúde, como redução da mortalidade infantil, da mortalidade materna, prevenção da diabetes e da hipertensão e também nível de satisfação do usuário. Os postos que baterem a meta receberão R$ 100 mil por ano”.

Sobre os órgãos reguladores, não concorda que as indicações para os seus comandos sejam políticas e disse que todas as agências serão revistas. “Vamos passar um pente fino nas agências.”

Geraldo Alckmin

FINANCIAMENTO DO SUS