12/09/2018

O Globo publica ampla reportagem sobre sabatina com Marina Silva

Marina desafia PT

O Globo | Jornalista: Fernanda Krakovics, Jeferson Ribeiro e Bernardo Mello

Primeira entrevistada na série de sabatinas com os candidatos à Presidência organizada por O GLOBO, Valor Econômico e revista Época, Marina Silva (Rede) disse considerar Lula corrupto e desafiou o PT a explicar, na campanha, o desemprego. Hoje é a vez de Ciro Gomes (PDT) ser sabatinado. Lula, o ‘corrupto’, e Haddad, o candidato que terá de explicar o desemprego no Nordeste

MÁRCIA FOLETTO Marina Silva. Candidata no estúdio da Redação Integrada

No dia em que Lula assumiu que não será candidato a presidente, a candidata Marina Silva (Rede) disse ver o petista como “corrupto” e insistiu na defesa do impeachment de Dilma Rousseff. Ela afirmou que o candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, precisará explicar aos nordestinos por que o país da época de Lula virou uma nação de 13 milhões de desempregados. As declarações demonstram uma postura mais dura da ex-senadora após as duas últimas pesquisas eleitorais mostrarem quedas importantes em seu desempenho.

— Ele está sendo punido por graves crimes de corrupção. Sim (o considero corrupto). A diferença entre mim e as demais pessoas é que entendo que, numa democracia, não se pode ficar tripudiando do preso — argumenta. — Conheço o Haddad, mas agora ele vai ter de vir para disputa política, inclusive em relação aos votos do Nordeste. Ele terá de explicar à sociedade o que aconteceu no Brasil, que era o país do pleno emprego e agora tem 13 milhões de desempregados, que tinha tirado milhões de pessoas da pobreza e agora todas voltaram.

‘A proposta do Bolsonaro foi desmoralizada por um ato’

A candidata da Rede criticou a exploração eleitoral do atentado sofrido por seu adversário, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), que postou fotos de dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com gesto de que estaria atirando, uma marca da sua campanha:

— Eu fiquei estarrecida ao ver o candidato (Bolsonaro), depois de ter passado por uma situação dramática e quase perder a sua vida, fazendo um gesto de tiro de dentro de uma UTI. Eu acho que o Brasil inteiro ficou estarrecido com aquela imagem. Graças a Deus que ele não morreu, graças a Deus que aquela pessoa não tinha uma arma de fogo. Imagine se a proposta do Bolsonaro já tivesse aprovada, arma de fogo na mão de todo mundo, o que poderia ter acontecido com ele? —disse Marina, após o encontro, no qual já havia criticado o adversário. — A proposta do Bolsonaro não foi desmoralizada por um discurso, foi desmoralizada por um ato. Não existe nada mais forte para desmoralizar que não seja o ato. O ato desmoralizou a política de segurança do Bolsonaro.

Os motivos da queda de cinco pontos na pesquisa Datafolha

Marina tentou minimizar a redução de sua intenção de voto para 11% na pesquisa divulgada anteontem pelo Datafolha. Após a entrevista, o Ibope divulgou novos números que mostram queda de três pontos da ex-senadora. Ela recorreu a um lugar-comum usado na política, dizendo que esse é só um sinal momentâneo. Marina justifica que tem pouco tempo na televisão para mostrar suas propostas.

— Pesquisa é o retrato de um momento, e as candidaturas têm de fazer o debate, apresentar suas propostas, vamos continuar trabalhando muito — afirmou Marina. — A questão do tempo de televisão tem um peso, sim. Algumas candidaturas têm um tempo enorme. Não fazer as alianças é uma escolha, e a escolha tem a ver com coerência. Fica muito difícil você dizer ‘vou ser tolerância zero com a corrupção’ e ter Lava-Jato em cima do palanque.

Na concorrência pelos votos da esquerda, críticas às propostas de Ciro

Percebendo o crescimento eleitoral de Ciro Gomes (PDT), Marina também marcou diferenças sobre a proposta de refinanciar a dívida das pessoas registradas no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

— Cada candidato apresenta suas propostas, eu tenho que zelar pelas minhas. Não vou fazer nenhum tipo de promessa para depois os outros pagarem. Quero fazer compromissos que vou poder atender. É uma proposta com nível de complexidade muito alta — disse após a sabatina, ao ser questionada se a ideia do adversário era factível.

Os princípios da candidata e as alianças

A candidata da Rede voltou a dizer que não faz alianças por conveniência eleitoral e insistiu que, mesmo com sua forma de fazer política, será possível negociar com o Congresso e aprovar as mudanças legislativas necessárias, mantendo seus princípios de não relativizar o combate à corrupção. A exsenadora contrapôs as críticas que a colocam como uma política sem força

— Não se pode negociar e ceder nos princípios. Não pode haver o toma lá, dá cá, isso é inegociável, tem que acabar no Brasil essa lógica de que é assim mesmo, que não pode ser diferente. É viável (um governo assim). Eu tenho que acreditar num Brasil honesto, competente e eficiente. O que é inviável é continuar o toma lá, dá cá — defendeu Marina, refutando a imagem de fragilidade. — Eu tive cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose. Ajudei a criar sete irmãos no meio de uma floresta com meu pai. Isso é ser uma pessoa frágil? A fragilidade maior que o brasileiro precisa combater hoje é a do caráter.

Reforma trabalhista precisa de ajustes

A ex-senadora disse que a reforma trabalhista aprovada no governo Michel Temer precisa de ajustes porque deixou os sindicatos sem uma forma de financiamento e criou situações de fragilidade para o trabalhador. Ela, porém, não defende contribuições obrigatórias às centrais sindicais, como havia no passado.

— É preciso criar um mecanismo porque se eles (sindicatos) ficam sem uma forma para receber a contribuição, do jeito que está hoje, podem ficar fragilizados. É preciso debater com eles e com os especialistas como vamos possibilitar que sindicatos não venham à falência. Não existe sociedade justa se só o empreendedor puder colocar suas ideias. Eu vou levar a ideia para criar um mecanismo em que as contribuições sindicais sejam feitas de uma forma melhor, mas não mais pela obrigatoriedade.

Para Marina, há mais falhas no texto aprovado pelo Congresso:

—O argumento é que a reforma trabalhista é para modernizar as relações de trabalho, mas uma mulher grávida trabalhar em local insalubre não é modernizar. Assim como o trabalhador que ganha um salário mínimo ter de pagar pela perícia técnica se entrar na Justiça (contra o empregador).

Energia ‘boa’ e 1,5 milhão de placas solares

A candidata da Rede afirmou que pretende aumentar a geração de energia solar, eólica e de biomassa porque o país não deve apostar em novas usinas térmicas de carvão, gás ou óleo diesel. Segundo ela, essa escolha pode gerar mais empregos e permitir renda adicional no semiárido nordestino.

— Já temos uma série de termelétricas a diesel, a gás e a carvão. Nós precisamos é compreender que o Conselho Nacional de Política Energética precisa investir cada vez mais em contratação de energia limpa, renovável e com geração distribuída. Ainda há possibilidade de aproveitamentos hídricos, mas eles terão que respeitar a proteção do meio ambiente, o respeito às comunidades locais e a viabilidade econômica desses projetos. Não sei por que a gente está reivindicando a energia ruim se temos como fazer a energia boa. Vamos colocar 1,5 milhão de placas solares no teto das casas para gerar energia e ainda dá para ganhar um pouco de dinheiro vendendo um pouco para o sistema. Nós estamos pensando em fazer espécies de fazendas solares no semiárido brasileiro, onde comunidades locais que têm renda baixíssima possam ter fonte de geração de renda bem maior produzindo energia solar comunitária. Esse é o Brasil do século 21.

Reforma da Previdência e fim do Refis para combater déficit fiscal

A candidata da Rede não se comprometeu com um prazo para acabar com o déficit primário, que deve ser da ordem de R$ 139 bilhões em 2019, mas disse que fará a Reforma da Previdência e acabará com os refinanciamentos de dívidas das empresas, o Refis, para dar fôlego ao caixa do Tesouro.

— Nós vamos fazer a Reforma da Previdência, que é uma das formas de reduzir o gasto público, e será uma reforma para enfrentar o problema dos privilégios. Acabaremos com a farra do Refis e combateremos a corrupção sem trégua. Investiremos na eficiência do Estado, criando um governo digital para reduzir a burocracia e faremos a avaliação de desempenho dos programas do governo. Vamos fazer o país crescer para arrecadar mais.

Segurança pública, não só política de enfrentamento

No caso do Rio, onde mapeamento de autoridades revelou que traficantes e milicianos controlam a entrada de candidatos e a atuação de campanhas em pelo menos 300 áreas, Marina afirmou que, apesar de o Estado ter “o monopólio da força”, não pode agir sem respeitar as comunidades. Nesses casos, a candidata da Rede defendeu o uso de inteligência policial para que a abordagem seja mais efetiva e não recaia sobre a população. Ela propôs, de um lado, medidas como a instalação de bloqueadores de celular nos presídios para impedir que o crime organizado continue operando de dentro das cadeias, e de outro, políticas para a juventude, que garantam, por exemplo, o primeiro emprego.

— Deve haver força, sim, para combater crime organizado, tráfico de drogas, milícia, mas não pode ser feito em prejuízo da vida de inocentes — sustentou a exsenadora. — Você não tem como princípio de combater o crime eliminar a vida do criminoso. Precisamos ter uma abordagem inteligente para que ele (criminoso) seja privado de liberdade. No Brasil não existe pena de morte, existem as contingências. Hoje perdemos vidas de policiais e muitas pessoas são assassinadas nos embates. Isso não deve ser uma política de segurança pública. A política correta é prender o criminoso e, sobretudo, devolvê-lo para a sociedade em condição de se reintegrar.

Transformar o SUS no plano de ‘saúde dos brasileiros’

Marina explicou que pretende coordenar o sistema nacional de saúde por meio de 400 regiões administrativas em todo o país, supervisionadas por uma Autoridade Sanitária Nacional que tenha participação da União, de estados e municípios. A ideia, segundo a candidata, é “otimizar esforços” entre o Sistema Único de Saúde (SUS), planos privados e entidades filantrópicas. As ideias foram formuladas pelo vice de Marina, Eduardo Jorge (PV), médico de formação e autor de leis que regulamentaram o SUS.

— O SUS foi muito bem concebido, mas já é tempo de fazer ajustes. É transformar o SUS no plano de saúde dos brasileiros. É preciso evitar desperdícios. Hoje, em torno de 50% dos leitos estão ociosos — afirmou Marina Silva.

A candidata também defendeu uma atuação significativa do governo federal na atenção básica, normalmente uma atribuição das prefeituras. Ao responder se tratará a legalização do aborto e das drogas como questões de saúde pública, Marina repetiu sua proposta de incentivar um plebiscito, mas ressaltou que convocá-lo não é uma atribuição da Presidência da República:

—O que eu defendo é que, se for para ir além, os 500 deputados não podem substituir 200 milhões de brasileiros num debate complexo como esse.

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