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A Interfarma acaba de firmar acordo com o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo dentro de programa de capacitação para 40 mil farmacêuticos do Estado. A iniciativa visa aperfeiçoar o exercício qualificado e ético da profissão e defender o uso racional de medicamentos, por meio da produção de uma série de DVDs que serão enviados aos profissionais entre setembro de 2010 e maio de 2011. O lançamento oficial da coleção será no dia 19 de setembro, no Palácio das Convenções do Anhembi, durante o XVI Congresso Paulista de Farmacêuticos, o Segundo Congresso da Farmácia Brasileira e o VIII Seminário Internacional de Farmacêuticos, que acontecem simultaneamente ao Exporfar 2010. O evento espera atrair cerca de 6 mil pessoas, dentre elas, 3,5 mil farmacêuticos. Nesta entrevista, Antônio Britto, presidente-executivo da Interfarma fala sobre o acordo e o que isso significa para a Interfarma e para a relação entre a entidade e os profissionais farmacêuticos. Qual a importância desta iniciativa? Antonio Britto: Quando surgiu a idéia de trabalhar junto com o Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, em uma campanha que defende e estimula o uso racional de medicamentos, nós nos identificamos totalmente porque este movimento faz parte do exercício ético: por parte de quem produz, de quem receita, de quem respeita a receita e completa o processo passando ao paciente aquele medicamento prescrito. Então, nós achamos que a campanha é indispensável. É um avanço a favor da ética no Brasil.
Qual a importância deste projeto para a Interfarma? AB: A Interfarma acredita muito nesse projeto. Nós enxergamos o Brasil como um país onde a sociedade está avançando, os direitos da comunidade estão se impondo e ninguém, absolutamente ninguém que atue na área de saúde humana, pode se movimentar sem ética, sem respeito à lei e aos direitos das pessoas, principalmente, dos pacientes. Nós acreditamos nisto e este é o nosso DNA.
Qual a importância do farmacêutico para a saúde do País? AB: O papel do farmacêutico no Brasil vai além do técnico. Pelas características da profissão, o farmacêutico ganhou um papel extraordinário. Grande parte da possibilidade da aplicação do medicamento se dar corretamente e de forma ética, depende dos farmacêuticos. As circunstâncias brasileiras colocam este profissional no centro do processo de levar a saúde para os brasileiros. Nós, pelo respeito que temos à categoria e pela sua importância, acreditamos que temos a obrigação de apoiar tudo que ajude na qualificação, conhecimento e habilidade destes profissionais para que, no momento em que o cidadão brasileiro for à farmácia, a saúde dele não seja baseada apenas nas técnicas adquiridas na vida acadêmica, mas qualificadas dentro da ética.
Qual o papel de cada agente no setor da saúde? AB: É preciso ter simplicidade para examinar o papel de cada um. Nós somos parte de um processo. Quem produz, quem distribui, quem prescreve e quem entrega, somos todos iguais porque somos, totalmente, responsáveis pela saúde da população. E dentro deste cenário, não existe melhor ou pior, se vai mal, vai mal para todo mundo. E se for bem, se formos éticos, competentes e se o paciente ficar satisfeito, que é o mais importante, iremos todos bem. Algumas pessoas não compreendem isso, mas na visão da Interfarma, estamos todos juntos. E, evidentemente, queremos estar juntos para o bem.
Qual a missão da Interfarma? AB: Em uma frase: a Interfarma deve defender a ética na pesquisa em saúde humana. Falo da pesquisa em que as nossas associadas atuam, em busca da inovação, que quando colocada à disposição da sociedade na forma de medicamentos, é apenas a metade da tarefa. Ninguém inventa um medicamento para deixá-lo guardado numa prateleira. O que completa o ciclo da invenção é fazer com que ela chegue à ponta do processo que, aliás, é o centro do processo, são os pacientes. Então, o nosso papel é defender todas as iniciativas que envolvam pesquisa e inovação de um lado e ética do outro, que envolve defender a rastreabilidade, pagamento de impostos, cumprimento da lei. A outra metade da nossa tarefa é contribuir para que o medicamento inovador que tanto pode ajudar chegue a todas as pessoas que precisem.
Chegue de que forma? AB: Chegue da forma correta, com a prescrição correta. Mas é uma questão que também envolve o acesso ao medicamento, que engloba fatores como preço, imposto, entre outros já citados.
Na sua visão, qual o papel do farmacêutico? AB: Tenho 58 anos e cresci em uma cidade do interior onde o farmacêutico era uma das duas ou das três pessoas mais importantes da cidade. Porque ele era, mesmo onde havia médico, a referência de esperança e confiança. O mundo mudou, o Brasil mudou, a minha cidade mudou, não tem mais uma ou duas farmácias. Hoje, o Brasil tem cerca de 60 mil farmácias, milhares de farmacêuticos, mas isso não significa que, porque o Brasil mudou, o papel do farmacêutico também tenha mudado. A função tanto do farmacêutico quanto do médico continua sendo a mesma ainda que a atividade tenha se multiplicado por um trilhão no Brasil. Então, eu continuo olhando para um farmacêutico, 50 anos depois, da mesma forma de quando eu era menino, com respeito e confiança.
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