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Líder comandava quadrilha de dentro da prisão Imprimir E-mail

Sex, 03 de fevereiro de 2012


O Estado de S.Paulo

Jornalista: /CAMILLA HADDAD e GIO MENDES


De dentro do Centro de DetençãoProvisória(CDP1) dePinheiros, na capital paulista, Stefano MantovaniFernandes,condenado a 14 anos de prisão por receptação e venda de remédios da rede pública, conseguiu apenas como uso de umcelular equatro chips, apreendidos na terça e na quarta-feira, desviar medicamentos de alto custo de hospitais públicos.
Segundo a Polícia Civil, o esquema de Fernandes tinha o apoio,do lado defora,desuamulher, Débora Aretuza Fulep da Luz, e do cunhado dele, Rodrigo Eduardo de Paula. Eles também foram detidos ontem.
A promotora Beatriz Lopes de Oliveira, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), disse que Fernandes vai cumprir castigo emumnovo local: será levado ao temido Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Ele já havia sido preso, ao lado do pai e das duas irmãs,naOperação Medula 1, em setembro de 2009, que investigou o furto de remédios e a distribuição em 13 Estados. Na ocasião,o paidele,Dahir Fernandes Filho, foi apontado como o líder da quadrilha e o responsávelpelo aliciamento defuncionários dos centros médicos. Segundo a investigação, Dahir pegava os medicamentos furtados pelos funcionários e os repassava para distribuidoras que estavamemnomedas filhas,Giovana e Giuliana Mantovani Fernandes. Stefano na época tinha a tarefa de cuidar do depósito dos medicamentos, que ficava na Rua Nazaré, em São Caetano do Sul, no ABCpaulista. A operação prendeu nove pessoas, incluindo um genro de Dahir. Entre os medicamentos apreendidos estava o MabThera, usado no combate ao câncer Trata-se do mesmo medicamento encontrado ontem e na Operação Medula 2, em maio de 2010, quando seis suspeitos de desviar medicamentos de um postodedistribuição daredepública estadual na zona sul de São Paulo foram detidos. À época, o prejuízo foi de R$ 8 milhões. As investigações da Operação Medula3 duraramseis meses,contaramcomo usodeescutas dopresídio, e foram coordenadas pela Corregedoria Geral da Administração, órgão do governo estadual ligado à Casa Civil do Palácio dos Bandeirantes.


A resposta dos hospitais. Em nota, o Hospital Samaritano informouquedesconheciao envolvimento de funcionários no desvio de medicamentos. Afirma que é “vítima” e está apurando o queocorreu.OInstituto Brasileiro de Cont rol e do Cânc e r (IBCC) também se manifestou por nota, dizendo que não recebeunotificação oficialsobreo caso e soube da investigação pela imprensa.
A Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo Hospital Brigadeiro, afirmou que participou das investigações. A pasta disse ainda lamentar que criminosos prejudiquem o tratamento da população usuária do SUS.

2 PERGUNTAS PARA...
Antonio Britto, pres. da Ass. da Indústria Farmacêutica de Pesquisa


1.É possível que uma farmácia regularizada compre o produto irregular sem saber que é falsificado?
Não é impossível. Se você tem 4 bilhões de medicamentos, 190 milhões de consumidores e 65 mil unidades de venda, é um volume tão grande que só um sistema de rastreabilidade conseguiria controlar

2. O desvio de medicamentos é um grande problema?
Sim. O mesmo sujeito que hoje rouba, amanhã pode misturar roubado com falsificado.