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Nycomed ingressa no ramo hospitalar

Qui, 22 de abril de 2010


Valor Econômico

Jornalista: Daniel Rittner (De Buenos Aires)


É adaptando o lema de Juscelino Kubitschek e inspirado pelo cinquentenário de Brasília que o presidente do laboratório Nycomed no Brasil, Luiz Eduardo Violland, descreve os planos da empresa: "Vamos crescer 55 anos em cinco". Trata-se de uma menção ao longo período, desde 1954, que a Altana Pharma levou para dobrar de tamanho.

Em 2009, já comprado pela companhia europeia Nycomed, de origem dinamarquesa, o laboratório multinacional traçou a meta de crescer pelo menos 15% ao ano e duplicar o faturamento até 2014. A estratégia para alcançar esse objetivo passa por aquisições e licenciamentos de marcas de terceiros, mas sobretudo pela entrada - anunciada nesta semana, durante o congresso da Associação Internacional de Cirurgia Hepato-Pancreática, em Buenos Aires - no cobiçado ramo hospitalar.



Os medicamentos de consumo exclusivo de hospitais, um mercado de R$ 16 bilhões que inclui compras governamentais e de seguros-saúde, representam quase um terço do faturamento total da indústria farmacêutica no Brasil. A Nycomed já se firmou nos outros dois segmentos: o de remédios sob prescrição, como o anti-enjoo Dramin e o antiulceroso Pantozol, e os de balcão (consumo livre), como o analgésico Neosaldina e o digestivo fitoterápico Eparema.

O primeiro produto na área exclusivamente hospitalar, lançado durante o congresso em Buenos Aires, é o TachoSil. Usado em cirurgias do fígado, já difundido na Europa e com estreia no mercado americano prevista para maio, trata-se de uma esponja adesiva que visa reforçar a coagulação e estancar o sangramento ao término de operações no fígado. Segundo o laboratório, há dois produtos parecidos, mas de classes diferentes e com tecnologia menos sofisticada, disponíveis hoje no mercado.

A incursão nesse segmento é vista como crucial pela Nycomed, já que ele tem crescido a taxas próximas de 25% ao ano, afirma Violland, enquanto os medicamentos sob prescrição e de balcão se expandem entre 10% e 12%. "A nossa visão de futuro é ter 30% dos nossos negócios vindos da área hospitalar", afirma o presidente. "Queremos lançar pelo menos um produto por ano", complementa Sandro Silva, responsável pela nova divisão de remédios hospitalares.

A Nycomed espera faturar R$ 500 milhões em 2010, tirando impostos, no Brasil. Enquanto começa a divulgar o TachoSil no país, a empresa aguarda a aprovação da Anvisa para o Instanyl, um superanalgésico voltado a pacientes de câncer terminal, cujas dores insuportáveis só podem ser atenuadas com medicamentos à base de morfina. É o caso também do Instanyl, com a novidade de que ele promete encurtar o tempo entre a aplicação do remédio e seus efeitos.

Por ser impulsionada pelas compras do poder público, Violland acredita que o segmento hospitalar deverá continuar aumentando fortemente no Brasil, devido ao envelhecimento da população, mas principalmente aos investimentos do Estado na saúde. "Será um dos grandes temas da campanha eleitoral deste ano, até pela trajetória de um dos candidatos", diz. Para aperfeiçoar o funcionamento da indústria farmacêutica, o executivo cobra melhorias no sistema de registro de patentes, ainda considerado lento. "Temos produto depositado (no INPI) em 1997 que não saiu até hoje."

O faturamento da Nycomed no país, que tem uma fábrica em Jaguariúna (SP), deverá crescer 18% neste ano. Para manter essa trajetória, a companhia tem um plano de investimentos que chega a US$ 300 milhões para os próximos cinco anos. Além de lançamentos no segmento exclusivamente hospitalar, busca oportunidades de licenciamentos de marcas de terceiros. Também está de olho em aquisições de medicamentos de marca, como a Neosaldina, comprada em 2003 do laboratório Abott e cujas vendas triplicaram nos últimos cinco anos. "Não é fácil, está todo mundo querendo comprar", avalia Violland. "Antes comprava-se um produto por oito vezes o valor de seu lucro anual. Hoje paga-se 12 ou 13 vezes, e em uma moeda bastante valorizada", completa o executivo.