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Qui, 31 de março de 2011 Brasil Econômico Jornalista: CLAUDIA BREDARIOLI
Primeira indústria farmacêutica a chegar à fase final de testes para o desenvolvimento de uma vacina contra a dengue, a francesa Sanofi Pasteur, divisão de vacinas do Grupo Sanofi-Aventis, investe €300 milhões (R$ 699 mi) na finalização da construção de uma fábrica em Neuville, na França, para produção da nova vacina.
O Brasil — público para o qual o produto está sendo desenvolvido com prioridade — deverá ser o primeiro país a receber em massa a nova vacina. Os testes da terceira fase doimunizante, a última no processo que antecede a aprovação por órgãos reguladores como o americano FDA, estão sendo aplicados na Austrália. Mas há estudos e testes sendo realizados também no Brasil, na Tailândia e em outros países afetados pela doença. Se a eficácia do produto for comprovada, a previsão é de realização do primeiro pedido de registro e autorização a partir de 2013, mas isso também pode ocorrer depois, a depender dos resultados dos testes.
A vacina chega em sua etapa final de testes cerca de noventa anos após os primeiros estudosmundiais. “Acreditamos na aprovação, especialmente porque não há produto algum no mercado que seja semelhante a esse e as demais empresas que desenvolvem testes ainda não entraram na fase final”, diz Susan Watkins, diretora global de comunicação científica da Sanofi Pasteur, explicando que em razão disso a empresa começou a investir na construção da fábrica mesmosem ter a certeza da aprovação.
O Brasil, contudo, não tem sido visto como um grande mercado pela Sanofi Pasteur apenas em razão da chegada do imunizante. No ano passado, o país recebeu 60 milhões de doses da vacina H1N1 produzidos pela companhia. “O Brasil é nossa prioridade entre os mercados emergentes”, afirma Susan.Em2010, os emergentes, com destaque para o Brasil, somaram mais de €1 bilhão (R$ 2,33 bi) no faturamento global da companhia.
“Ainda há acertos a serem feitos quanto à distribuição, mas queremos expandir geograficamente nossa participação no mercado global e investir mais em produção local”, diz a executiva. O Brasil, contudo, não está entre as prioridades globais da companhia para receber investimentos em laboratórios de pesquisa. Neste caso, a previsão está focada na expansão da área de pesquisa e desenvolvimento na China e na Índia, onde a companhia já tem laboratórios.
Com € 3,8 bilhões (R$ 8,85 bi) emfaturamento em 2010 e 13 mil empregados no mundo, a Sanofi Pasteur tem atualmente 12 fábricas de vacinas e outras três em construção — uma no México, outra na China e a que se dedicará à produção de vacina para dengue, na França. A corrida pelo Brasil não ocorre por acaso, visto que nos últimos anos as multinacionais da indústria farmacêutica têm buscado crescer em novos mercados que possam compensar os altos investimentos empesquisa para desenvolvimento de medicamentos.
No caso da dengue, o Brasil interessa pelo fato de a doença ser endêmica no país e também em razão de o governo ter recursos para adquirir a vacina, o contrário do que ocorre, por exemplo, na África. A intenção inicial da Sanofi, que trabalha em parceria com o Instituto Internacional de Vacinas (IVI) — e, no Brasil, atua ao lado do Instituto Butantan e da Fiocruz — é disponibilizar o produto ao mercado mundial em 2015.
Mercado de vacinas deve mais que duplicar até 2015 A Sanofi Pasteur concentra aproximadamente 25% do mercado mundial de vacinas que, no ano passado movimentou em todo o planeta € 10 bilhões (R$ 23,3 bi). A expectativa é que esse mercado mais do que duplique em valor até 2015, alcançando movimentação de € 22,7 bilhões (R$ 53 bi). Anualmente, a Sanofi Pasteur produz cerca de 1 milhão de doses de vacinas que protegem em torno de 500 milhões de pessoas em todo o mundo contra 20 enfermidades infecciosas. No ano passado, a companhia investiu € 128 milhões em pesquisa e desenvolvimento, especialmente em seus centros de estudos localizados na França, Estados Unidos, Canadá, Argentina, China, Índia e Tailândia. Entre 2006 e 2010, a companhia investiu mais de € 1,9 bilhão em iniciativas para ampliar sua capacidade de produção. Atualmente, a empresa tem 15 tipos de vacina em processo de desenvolvimento dentre as quais, além da contra a dengue, se destaca outra contra infecções hospitalares. Há mais de 20 anos a companhia também participa de uma associação global para o desenvolvimento de vacina contra HIV, da qual também fazem parte várias agências governamentais e outras indústrias farmacêuticas de porte mundial.
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