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Genzyme ganha força no Brasil após venda para a Sanofi-aventis.

Ter, 29 de março de 2011
Brasil Econômico
Jornalistas: CLAUDIA BREDARIOLI


Farmacêutica americana deve permanecer em divisão separada dos franceses e aquisição vai impulsionar os negócios da companhia em mercados emergentes

Um dos líderes globais da farmacêutica Genzyme, o brasileiro Rogério Vivaldi, vice-presidente global da companhia e presidente da área renal e de endocrinologia, é um dos executivos envolvidos no processo de integração com a francesa Sanofi-aventis que, no mês passado, adquiriu a indústria americana por US$ 20,1 bilhões. Segundo ele, os acertos sobre a consolidação da compra devem ser finalizados nas próximas seis semanas, mas já está certo que a Genzyme deverá se estabelecer como uma divisão isolada, com manutenção de sua marca, e deve ampliar sua atuação em mercados emergentes — com destaque para China e Basil — em razão do posicionamento que a Sanofi tem nesses países.



“Eles são fortes na China e isso nos traz facilidades, por exemplo, para aprovação de remédios lá”, afirma Vivaldi. O principal produto que a Genzyme tenta levar ao mercado chinês é para o tratamento da doença de gaucher — que hoje temno Brasil o segundo maior número de pacientes identificados. Trata-se de uma doença genética relacionada com o
metabolismo dos lípidos, cujas principais características observadas são um aumento do fígado e do baço, anemia, diminuição do número de plaquetas e doenças ósseas.  No   Brasil, o tratamento desses pacientes é coberto pelo Ministério da Saúde em ações em parceria com a Genzyme.

“Queremos ser parte da economia local empaíses como Brasil e China. A parceria com a Sanofi vai nos trazer possibilidade de aceleração do nosso processo de expansão geográfica e esses países estão entre as nossas prioridades de atuação”, completa Rich Gregory, responsável pela  área de pesquisa da companhia.

Com forte atuação no desenvolvimento de medicamentos para doenças raras e pesquisas embiotecnologia, nos últimos 30 anos a Genzyme foi pioneira na criação de tratamentos para as doenças de gaucher, fabry e pompe. Nessas doenças, destacam- se os remédios Cerezyme, Febrazyme,Myosyme. Éuma das líderes globais entre as empresas de biotecnologia, comcerca de 10 mil funcionários. Instalada em Framingham, Massachusetts, e com acesso aos mais avançados centros de geração de conhecimento na área médica e farmacêutica (como as universidades Harvard e MIT), a companhia investe 18% do faturamento—cerca de US$ 800 milhões — em pesquisa e desenvolvimento.

“A Sanofi nos comprou por causa do nosso modelo. Somos hoje a empresamais próxima dos pacientes, não melhoramos suas vidas, nós as transformamos’, diz Vivaldi. Nas negociações de integração, pontua, a Genzyme tem tomado como prioridade, entre outros temas, a manutenção da qualidade de suas pesquisas e o nível de aprovação de seusmedicamentos. “Sabemos que não vale a pena inflar nossa estrutura se não tivermos ganho de produtividade.” A Sanofi-Aventis possui 110 mil funcionários. Somente na China são cerca de 3 mil.

Fundada em 1981, a Genzyme obteve faturamento de US$ 4 ,05 bilhões em2010. Na área liderada por Vivaldi, de tratamentos de problemas renais e de endocrinologia, a receita foi de US$ 1,3 bilhão, o equivalente a 34% do total. Tem acesso a pacientes de doenças raras em100 países.

Mudança
Depois de 28 anos à frente da Genzyme,Henry Teermer deixou o cargo de CEO e passou a fazer parte do conselho ligado a Christopher Viehbacher, CEO da Sanofi. A Sanofi registrou em 2010 € 5,4 bilhões de lucro líquido.


As áreas de especialidade da Genzyme são: doenças genéticas, renal e endocrinológica, oncologia e hematologia e biosegurança. No Brasil, firmou parceria coma Fiocruz para viabilizar estudos científicos (ver ao lado).


* Viajou a convite da Interfarma

AQUISIÇÃO
US$ 20,1 bi
foi o valor acertado para a compra da americana Genzyme pela francesa
Sanofi-aventis. O negócio foi anunciado no mês passado.

EQUIPE
10 mil
pessoas integram os quadros de funcionários da Genzyme, que tem sede em Framingham, Massachusetts e proximidade com a Universidade Harvard e o MIT.

PESQUISA
18%
da receita ou aproximadamente US$ 800 milhões são investidos anualmente pela Genzyme em pesquisa e desenvolvimento
de medicamentos.

RECEITA
US$ 4,05 bi foram faturados pela Genzyme no no ano passado, a área
de tratamento de problemas renais e endocrinologia responde por 34% desse total.