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Qui, 03 de março de 2011 Brasil Econômico Jornalista: MARTHA SAN JUAN FRANÇA
A farmacêutica Nycomed, com sede na Suíça, está decidida a aumentar sua participação nos mercados emergentes, especialmente no Brasil, onde está de olho no aumento do poder aquisitivo da classe C. Nos três últimos meses, a empresa recrutou e treinou mais 130 funcionários para expandir as vendas de seus medicamentos para hospitais e clínicos gerais. “Atualmente somos o segundo mercado da Nycomed no mundo, atrás da Rússia, e queremos ser o primeiro”, afirma Luiz Eduardo Violland, principal executivo do grupo no país.
O faturamento da empresa foi da ordem de R$ 633,5 milhões em 2010. Com uma participação de 2% no segmento farmacêutico brasileiro, a empresa planeja crescer, em média, 15% ao ano até dobrar de tamanho, com uma estratégia focada na expansão de vendas nos hospitais e clínicas gerais e no lançamento de novos produtos. Não está descartada a aquisição de laboratórios nacionais ou mesmo de marcas, intenção anunciada no ano passado mas não concretizada. A empresa dispõe de cerca de US$ 300 milhões para a compra,mas considera que o mercado está inflacionado e as negociações em andamento foram interrompidas. No entanto, “se surgir um bom negócio que dê retorno, esse investimento pode voltar a ocorrer”, acena Violland.
Expansão em vários países O grupo, aliás, acaba de adquirir os Laboratórios Farmacol, da Colômbia, que operam nas áreas de gastroenterologia, ginecologia e doenças respiratórias com remédios próprios. E, no ano passado, deu um sinal de que pretende crescer na China com a aquisição de 51,3% da Guandong Techpool, empresa local.
No Brasil, as áreas de maior foco são gastroenterologia, doenças respiratórias e dor. Atualmente, a divisão de OTC (remédios vendidos sem a necessidade de prescrição médica) representa 40% do faturamento da companhia. A área de medicamentos sob prescrição tem 50% e a área hospitalar, 10%.
Esta proporção pode mudar, segundo prevê Giles Platford, gerente-geral da Nycomed, uma vez que a tendência geral é de crescimento da área hospitalar acima das outras. O primeiro produto desse segmento é o Tachosil, usado em cirurgias de fígado, lançado no ano passado.
Outro objetivo da empresa é aumentar a participação no mercado de medicamentos para doenças respiratórias, com potencial da ordem de US$ 18 bilhões. “O que somos em gastroenterologia hoje seremos em doenças respiratórias em cinco anos”, afirma Platford. O primeiro medicamento dessa linha, que acaba de receber autorização para comercialização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é o Daxas, para doença crônica dos pulmões ou DPOC. A comercialização está prevista para o segundo trimestre deste ano.
Novos produtos Dona de marcas bastante conhecidas, como a Neosaldina e o Dramin, a Nycomed comercializa no Brasil 27 produtos, a maioria fabricada em Jaguariúna (SP). Até 2015, a companhia deve colocar no mercado outros dez medicamentos, entre extensões de linhas já conhecidas e novos produtos. Entre eles, o Instanyl, um spray intranasal prescrito para administração do avanço da dor em pacientes de câncer. Está previsto também o lançamento de uma solução intravenosa para o tratamento de anemia no pós-parto, cirurgias ou doenças crônicas; e um anti-histamínico com efeito sedativo. A área de medicamentos genéricos não está descartada, mas, segundo Violland, não é o foco da companhia.
Farmacêutica lança droga para o pulmão Com a promessa de aumentar a sua presença no mercado brasileiro de doenças alérgicas e respiratórias, a Nycomed aposta no lançamento do Daxas, que acaba de receber autorização para comercialização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Trata-se de uma nova classe de medicamentos que complementa o tratamento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPDOC), como bronquite crônica e enfisema pulmonar, que ocorre, na maioria dos casos, em fumantes. Pelos cálculos da farmacêutica suíça, a nova droga via oral é inédita no país para doenças respiratórias. “A Nycomed pretende se estabelecer como uma das principais companhias da área respiratória com o lançamento deste e de outros produtos nos próximos anos”, diz Giles Platford, gerente- geral no Brasil. O mercado global de asma e de DPOC deverá movimentar US$ 18 bilhões em 2011.
Pesquisas clínicas As pesquisas com o princípio ativo do medicamento começaram na Europa há cerca de vinte anos e ainda continuam, uma vez que a DPOC constitui uma das principais causas de morte no mundo. O Brasil participou do último estudo clínico em conjunto com outros treze países, realizado no ano passado.
Segundo Luiz Eduardo Violland, presidente da Nycomed no Brasil, está prevista a participação do país no próximo protocolo de acompanhamento que deverá durar cinco anos e ainda está em fase de planejamento.
Na sua visita ao Brasil, na semana passada, o presidente mundial da Nycomed, Håkan Björklund, lembrou que, nos próximos anos, os brasileiros verão mais pesquisas sendo realizadas na América Latina e na Ásia: “Nós pretendemos ampliar nossos produtos de acordo com o interesse desses países, e não apenas dos europeus”.
TRÊS PERGUNTAS A...HÅKAN BJÖRKLUND Para o presidente do grupo Nycomed, Håkan Björklund, que esteve no Brasil na semana passada, o país é chave entre os emergentes e a empresa está aberta a novos investimentos. Qual o significado da reunião do conselho do grupo Nycomed no Brasil? A Nycomed tem uma presença significativa nos mercados emergentes há bastante tempo, mas nos últimos anos eles se tornaram ainda mais importantes. O Brasil é considerado um país chave para nós e onde queremos investir. O mundo mudou e o país cresceu muito. Estamos investindo em outros países da América Latina, mas nossos olhos estão mais voltados para o Brasil.
O grupo Nycomed pretende fazer novas aquisições? Está nos planos da companhia fazer mais duas ou três compras este ano no mundo. No Brasil, constatamos que os preços são muito altos, porque há muita competição e os laboratórios estão crescendo. Outros grupos farmacêuticos já perceberam que o mercado emergente é muito bom, mas nós já estamos no Brasil há bastante tempo.
Qual a estratégia de lançamento de novos medicamentos no Brasil? Nossa intenção é focar em produtos em desenvolvimento que atendam mais as necessidades do mercado brasileiro. Para isso, pretendemos fazer pesquisa clínica não apenas dos medicamentos clássicos que já têm mercado na Europa, mas daqueles voltados para a América Latina e a Ásia. Além disso, damos muita autonomia às direções locais. Os processos de aprovação na Nycomed são muito mais rápidos do que o de nossos concorrentes.
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