|
Qua, 23 de fevereiro de 2011 Brasil Econômico Jornalistas: Martha San Juan França
O Brasil está na rota de crescimento da Bayer Health Care neste ano. A divisão farmacêutica da multinacional alemã pretende lançar cinco novos produtos em 2011, entre eles, o contraceptivo oral Qlaria, que acaba de receber autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no país.
O Qlaria é o primeiro de uma classe nova linha de contraceptivos orais que utilizam o estradiol, hormônio natural produzido pelo corpo feminino. Em todo o mundo, a Bayer tem três fábricas de contraceptivos, sendo duas na Alemanha e uma em São Paulo, que exporta 45% de sua produção para mais de 30 países da América Latina e Ásia.
Além disso, está nos planos da companhia ampliar o número de pesquisas clínicas no país. “Estamos prevendo um investimento de € 8 milhões em 2011, mais do que o dobro do ano passado”, diz Theo van der Loo, que acaba de assumir a presidência da Bayer no Brasil. A estratégia do grupo é trazer as inovações para o país e desenvolver trabalho cooperativo em quatro segmentos: oncologia, cardiologia, saúde feminina e diagnóstico por imagens.
Pesquisas clínicas “Se o sistema fosse mais ágil na aprovação de novos medicamentos, poderíamos fazer muito mais pesquisas, porque o interesse da Bayer Health Care é grande”, diz van der Loo. “Temos que aproveitar melhor as oportunidades.”
Ele explica que o país possui conhecimento e centros médicos de primeira linha, mas acaba perdendo chances importantes de crescer nessa área porque não consegue viabilizar em tempo as aprovações regulatórias e éticas exigidas para os estudos. A diretora médica da Bayer no Brasil, Sandra Abraão, deu como exemplo, as pesquisas com uma nova droga para o câncer de intestino. “Quando conseguimos todas as aprovações, o prazo para o recrutamento tinha terminado.”
O presidente mundial da Bayer Health Care, Andreas Fibig, confirmou o interesse do grupo pelo país. “Espera-se que o mercado farmacêutico brasileiro quase dobre até 2015, tendo, portanto, uma função essencial na estratégia de crescimento da empresa.” Fibig frisou que a Bayer está apostando nos mercados emergentes nos próximos anos — a divisão farmacêutica pretende estar entre as cinco maiores de países como a China, Índia e Brasil até 2015.
Na América Latina, a Bayer Health Care já alcançou essa posição e gera mais de 20% do seus negócios. No Brasil, a divisão é a sexta do mercado. “Estamos no Brasil há bastante tempo e queremos construir em cima da nossa reputação”, diz Fibig. “O país mudou muito nos últimos anos, finalmente a economia está estável, há menos desemprego e tudo indica que essas vantagens devem continuar nessa marcha, o que é crucial para o mercado farmacêutico.”
Além do Qlaira, a Bayer pretende lançar neste ano uma nova versão do seu medicamento contra a disfunção erétil, o Levitra ODT, primeiro do gênero que é colocado sob a língua e absorvido pela mucosa oral, com ação mais rápida. “Sabemos do crescimento de genéricos desses medicamentos com o fim do prazo da patente de nossos concorrentes”, diz van der Loo, “mas achamos que essa é uma boa forma de participar do mercado”.
A Bayer espera autorização da Anvisa para ampliar as aplicações do Xarelto, usado na prevenção de coágulos após cirurgia de prótese de quadris, para redução de derrames. E deverá lançar o Ventavis para hipertensão pulmonar e o VEGF Trap-Eye para doenças do olho, como a degeneração macular.
Novo Levitra amplia disputa por mercado de disfunção erétil
A expectativa de vendas de medicamentos contra disfunção erétil no Brasil é de R$ 590 milhões em 2011. E o potencial a ser explorado é ainda maior. Calcula-se que 650 mil homens utilizam regularmente produtos contra disfunção erétil no país. Este público corresponde a apenas 15% dos homens com mais de 40 anos que sofrem em algum grau com problemas funcionais. Daí o interesse da Bayer em inaugurar uma nova versão do Levitra, ou estender o seu ciclo de vida, mesmo com a concorrência dos genéricos e similares, lançados por empresas como EMS, Sandoz, Eurofarma, Germed, após o fim da patente do Viagra, da Pfizer, no ano passado. A diretora médica da Bayer, Sandra Abraão, diz que o novo Levitra não é muito diferente do medicamento original da empresa, mas é mais fácil de ser utilizado do que o tradicional comprimido. Ela adiantou que o medicamento só será comercializado no segundo semestre deste ano e a empresa ainda não definiu o preço. A Bayer Health Care também pretende lançar em breve o Androvit, uma nova vitamina especialmente dedicada ao público masculino.
|