Twitter

alt

 
Facebook

alt

 
Youtube

alt

Novartis faz parceria para estudar doença tropical no Brasil

Qui, 13 de janeiro de 2011


Brasil Econômico
Cláudia Bredarioli


Companhia planeja incluir o país para receber incentivos ao desenvolvimento de pesquisas ligadas a dengue e outros males.


Na contramão das ações desenvolvidas pela maioria das indústrias farmacêuticas globais, a Novartis investe anualmente cerca de US$ 40 milhões em pesquisas para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos para doenças tropicais por meio de seus institutos.



Com atuação em Cingapura e em outros países há cerca de uma década, a companhia tem agora planos de investir em estudos sobre febre amarela e mal de Chagas no Brasil. Há conversas, inclusive, que cogitam a possibilidade de implantação de um sistema de pesquisa no país em modelo semelhante aos que a empresa já temna Ásia.


Paul Herrling, diretor global de pesquisas corporativas da companhia e presidente do Instituto Novartis para Doenças Tropicais (NITD), centro de pesquisa localizado em Cingapura, explica que o Brasil tem chamado atenção como demandante de pesquisas sobre doenças tropicais também em razão da dengue. Ele veio ao Brasil conversar com possíveis parceiros para o desenvolvimento desses estudos. “A Novartis tem o mais extenso programa de acesso amedicamentos da indústria, emalguns casos com orçamento superior ao de muitos governos”, diz.

“Tentamos nos dedicar tanto à criação de novas drogas quanto ao desenvolvimento de novos medicamentos para substituir aqueles para os quais as doenças já se mostram resistentes, como é o caso da tuberculose e da malária”.

Para isso, ele explica que a empresa trabalha em duas frentes: programas de acesso a medicamentos, somado à pesquisa e desenvolvimento de medicamentos e vacinas para o tratamento e a prevenção de doenças tropicais negligenciadas, por meio de seus institutos NITD e Instituto Novartis Vacinas para Saúde Global (NVGH), na Itália. A grande diferença de atuação entre os institutos Novartis e a área de pesquisa institucional da companhia está no sigilo dos dados.

“Tornamos públicas rapidamente todas as informações de estudos sobre tuberculose, malária e outras dessas doenças, o que não ocorre com oncologia, por exemplo”, explica Herrling. Em alguns casos, como ocorreu em pesquisas desenvolvidas na Indonésia, a Novartis repassou ao governo local esses dados, que incluíam até mesmo a descoberta de novas doenças.


Não se trata de ação de caridade, diz. “Claro que inserida neste contexto está a questão comercial. Esse tipo de atitude é positiva para a empresa, especialmente se pensarmos no longo prazo, vendo que esses países vão crescer economicamente e que, de certo modo, a Novartis já estará com forte presença nesses mercados”, afirma. Durante a visita de Herrling, a Novartis e o governo brasileiro firmaram acordo para fortalecer os esforços para o combate à hanseníase no país.

A Novartis doará 3,2 milhões de tratamentos multi medicamentosos, compostos por três drogas (rifampicina, dapsona e clofazimina), nos cinco anos do acordo. A parceria estabelece a transferência de tecnologia para produção local do princípio ativo da clofazimina, um dos componentes do tratamento. “Este é um compromisso global de longa data da empresa, que desde 2000 assegurou a doação de mais de 45 milhões de unidades do tratamento multimedicamentoso, ajudando a curar cerca de 5 milhões de pacientes em todo o mundo”, diz Alexander Triebnigg, presidente da Novartis no Brasil.