| Conselho da Sanofi se divide sobre oferta pela Genzyme |
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Qua, 1º de setembro de 2010 Valor Econômico Jornalista: Jeanne Whalen e Dana Cimilluca Para conseguir fechar a maior transação de sua carreira - a proposta aquisição da Genzyme Corp. por US$ 18,5 bilhões -, o diretor-presidente da Sanofi-Aventis SA, Chris Viehbacher, terá de convencer não apenas o relutante conselho de administração da Genzyme de que o negócio realmente vale a pena, mas também alguns dos próprios conselheiros da Sanofi. Após semanas tentando fechar um acordo nos bastidores, a Sanofi veio a público no domingo com sua oferta pela Genzyme. O conselho da Genzyme a rejeitou rapidamente, afirmando que ela "subvaloriza drasticamente" a empresa. Mas o comunicado da Sanofi também motivou debates no conselho da própria empresa sobre o possível custo do negócio. Alguns membros do conselho estão entusiasmados com as capacidades científicas da Genzyme, segundo uma pessoa a par das discussões. Mas outros estão preocupados com o preço, especialmente considerando os problemas de fabricação que prejudicaram a capacidade da Genzyme de entregar seus produtos ao mercado, disse a pessoa. Ainda não está claro para o conselho da Sanofi quão rapidamente esses problemas de fabricação podem ser sanados e qual seria o impacto nos resultados futuros, uma incerteza que deixa alguns membros do conselho preocupados com a transação. A Total SA e a L'Oréal SA, as duas maiores acionistas da Sanofi, estão especialmente temerosas de que a empresa pague caro demais, disse a pessoa. Elas têm quatro dos treze assentos no conselho da Sanofi. Pelo menos um membro independente do conselho compartilha da visão delas. A Total e a L'Oréal não retornaram telefonemas pedindo comentários. Um porta-voz da Sanofi disse que a carta de intenções da empresa tem o "apoio total do conselho". Viehbacher tem mostrado entusiasmo com o potencial do acordo, mas considerou os problemas de fabricação da Genzyme um "desafio substancial". O conselho da Sanofi, que tem sede em Paris, tem dado bastante apoio a Viehbacher desde que ele assumiu a presidência executiva da farmacêutica, em dezembro de 2008. Ele gastou cerca de 9 bilhões de euros (US$ 11,4 bilhões) numa série de aquisições de pequeno e médio porte, comprando operações que vão desde vacinas veterinárias a loções para a pele, num esforço para diversificar os negócios e ampliar o faturamento, já que os remédios mais vendidas da Sanofi estão perdendo terreno para concorrentes genéricos. Mas a oferta em dinheiro pela Genzyme seria seu maior e mais arriscado negócio até agora, considerando a dificuldade de chegar a um consenso aceitável para o seu conselho e o da Genzyme. Além dos desafios representados pelos problemas de fabricação, uma batalha longa e venenosa pode afastar os principais empregados da Genzyme; Viehbacher precisaria retê-los para que uma aquisição dê certo. E muitos dos remédios que a Genzyme vende são caros, o que pode municiar ainda mais os críticos da indústria farmacêutica que miram a Sanofi, dona de um dos maiores faturamentos do setor. Viehbacher diz que a aquisição beneficiaria de várias maneiras os acionistas da Sanofi e da Genzyme. A Sanofi pode impulsionar as vendas da Genzyme, oferecendo os produtos da firma de biotecnologia em sua rede de vendas mundiais, muito maior, disse ele esta semana. Ele também argumentou que a Sanofi pode usar seu amplo conhecimento de manufatura para acelerar a produção da Genzyme. O acordo também daria à Sanofi uma presença maior no importante centro de biotecnologia de Cambridge, no Estado americano de Massachusetts, e uma oferta de drogas contra doenças raras, em que a relativa falta de tratamentos já garante a demanda. A Sanofi afirma que sua oferta de US$ 69 por ação representa um ágio de 31% em relação à cotação da Genzyme antes de 23 de julho, quando o Wall Street Journal revelou o interesse da Sanofi em comprar a firma de biotecnologia. Embora a oferta anunciada publicamente pela Sanofi não seja hostil, a empresa francesa deu a entender que pode tentar forçar a aquisição se não conseguir conquistar o conselho da Genzyme. De fato, Viehbacher está tentando fechar o acordo agressivamente, usando algumas palavras duras ao comentar o desempenho da Genzyme sob o comando do veterano diretor-presidente Henri Termeer. "É uma empresa cujo desempenho está abaixo do esperado há vários anos", disse Viehbacher numa teleconferência com analistas na segunda-feira. "Os acionistas da Genzyme têm de analisar quem está comandando o negócio. Quero dizer que está claro que há um fundador e diretor-presidente que está lá há um tempo e vocês precisam decidir se é a pessoa certa para realmente criar novo valor, ou não." A Genzyme, por sua vez, anuncia o potencial dos remédios que está desenvolvendo e afirma que progrediu "significativamente" na correção de seus problemas de manufatura. Viehbacher, que tem cidadanias canadense e alemã, comandou as operações americanas da GlaxoSmithKline PLC antes de entrar na Sanofi. Em 2008, ele concorreu com dois outros candidatos para se tornar o diretor-presidente da Glaxo, mas perdeu para o atual o líder da farmacêutica britânica, Andrew Witty. Enquanto conduz a oferta pela Genzyme, Viehbacher precisa estar atento à Total e à L'Oréal, que, juntas, detêm 15% da Sanofi. A Total, a petrolífera francesa, reduzido sua fatia na empresa e vendeu 2,5 bilhões de euros (US$ 3,16 bilhões) em ações da Sanofi ano passado. A L'Oréal, a gigante dos cosméticos, informou que é "flexível" quanto ao investimento, dando a entender que pode vender as ações para financiar outras iniciativas. A ação da Sanofi acumula uma queda de 18% este ano. |


