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Fabricação de remédio para leucemia é suspensa no país

Qui, 05 de agosto de 2010



Folha de S.Paulo
Jornalista: CLÁUDIA COLLUCCI



Droga essencial no tratamento do câncer infantil mais comum já está em falta e terá distribuição racionada

O principal medicamento para tratar a leucemia linfoide aguda, o câncer infantil mais frequente, teve a fabricação suspensa temporariamente no país.

O remédio Elspar (asparaginase) é único no mercado e, segundo os médicos, a falta dele pode comprometer o tratamento de crianças.

Em documento obtido pela Folha, o laboratório Bagó, que faz a droga, justificou a suspensão da produção alegando que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não aprovou a mudança do local de fabricação do medicamento.



Segundo a médica Silvia Brandalise, responsável pelo protocolo brasileiro de leucemia linfoide aguda, o remédio é "peça-chave" nas primeiras quatro semanas de tratamento dessa doença.

"Já está faltando o remédio no Brasil todo. Vai ser um caos se a fabricação não for retomada com urgência. A leucemia não avisa quando vai chegar", afirma a médica, presidente do Centro Infantil Boldrini, de Campinas (SP). A entidade atende dez casos novos da doença por mês.

Brandalise diz que uma solução emergencial será a importação do medicamento de outros países, como Argentina, Chile ou Estados Unidos.

No documento enviado à Anvisa, o laboratório Bagó informou que, nos próximos 180 dias, a venda do medicamento em estoque deverá ser racionada.

Nesse período, a empresa espera realizar as alterações exigidas pela agência e retomar a fabricação.

A reportagem procurou ontem a diretoria do laboratório, que fica no Rio, mas até o fechamento desta edição não houve resposta.

A leucemia aguda afeta de três a cinco crianças a cada 100 mil. É uma doença progressiva, que necessita de urgência no tratamento, cujo objetivo é destruir o maior número de células doentes (blastos). Com isso, a medula óssea recupera sua produção de células normais.