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Ter, 27 de julho de 2010
Portal RCM Pharma
Um fármaco semelhante ao Acomplia®, medicamento da farmacêutica sanofi-aventis tida como promessa na redução de peso, ajudou ratos obesos a perder peso e diminuir o açúcar e as gorduras no sangue, sem causar efeitos colaterais psicológicos, avançaram investigadores norte-americanos esta segunda-feira, de acordo com a agência Reuters.
Tal como o Acomplia®, o fármaco tem como alvo os receptores canabinóides, activados após o consumo de substâncias como o haxixe, mas a equipa fez com que o composto atravessasse o cérebro dos ratos, reduzindo o risco de depressão, ansiedade e outros problemas neurológicos observados no Acomplia®.
Apesar de os ratos obesos não perderem tanto peso com esse novo composto, este foi tão eficaz quanto o Acomplia® na redução de alterações metabólicas ligadas à obesidade, segundo divulgaram investigadores dos Institutos Nacionais de Saúde e da Universidade Northeastern, em Boston, no Journal of Clinical Investigation.
"O fármaco causa perda de peso menor do que o outro composto, o que não é o único problema da obesidade", disse Dr. George Kunos, do NIH, em Bethesda, Maryland.
A obesidade tornou-se uma epidemia nos EUA, levando a um enorme aumento da diabete e a uma série de problemas de saúde relacionados. Mas muitos fármacos potenciais para perda de peso falharam ou foram suspensos por questões de segurança.
Acomplia® teve de ser retirado do mercado depois de ter sido ligado a várias mortes e a centenas de reacções adversas na Grã-Bretanha. A droga, conhecida genericamente como rimonabant, nunca foi aprovada nos EUA, após um painel de peritos rejeitá-la devido ao receio de que pudesse causar pensamentos suicidas.
O rimonabant tem como alvo a proteína CB1R, a mesma molécula que controla os efeitos do haxixe. A CB1R está presente no cérebro, em órgãos como fígado e pâncreas, e nos tecidos adiposos.
Kunos e Alexandros Makriyannis, da Universidade Northeastern, testaram uma droga mais selectiva que bloqueia o CB1R apenas em órgãos periféricos, mas não consegue entrar no cérebro.
Os investigadores constataram que os ratos que ficaram gordos por comer demais perderam 12% da gordura corporal com essa nova fórmula, em comparação com 21% nos ratos que tinham tomado rimonabant.
Mas Kunos disse que os outros efeitos – redução de gorduras no sangue que podem causar doenças cardíacas e diminuição do açúcar no sangue, que pode desenvolver o risco de diabete – foram sobre os mesmos com os novos e os antigos fármacos.
Kunos afirmou que o medicamento não teve efeito sobre ratos mutantes que tinham sido obesos, porque não tinham a hormona de supressão do apetite leptina.
"Ratos e humanos obesos perdem a sensibilidade à leptina. Esse medicamento restaura a sensibilidade", disse Kuns.
Segundo o cientistas, o próximo passo é fazer testes para ver se o fármaco é tóxico em seres humanos. Eventualmente, a esperança é de que o medicamento seja testado como um novo tratamento anti-obesidade.
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